setembro 27, 2008

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(Continuação)Foi por acaso que descobri o ponto sensível da M, aquele em que não sentia prazer se não fosse suficientemente humilhada.
Uma noite telefona-me com voz trémula dizendo-me que estava muito doente, de cama. Que precisava de mim perto dela. Ora aqui o pobre gajo, fodido com mais dia de trabalho, precipitou-se logo em ir ao seu encontro afim de a consolar: Foda-se! Tudo o que precisava era de um regenerador sono, mas ouvir a sua voz em sofrimento fez-me compreender o quanto estava unido a ela…. E lá fui. E foi com um espírito de super-herói que lhe toquei à porta naquela noite. Mostrei-me inicialmente amável, ouvindo e sorrindo. Cinco minutos depois, dei por mim a pensar muito seriamente: "Tás doente o caralho!...". Perante o seu estado geral, ela me parecia melhor que eu. Tinha brincado comigo ao simular no telefone que estava muito doente para que acorresse à sua cabeceira para a consolar, esqueceu-se foi de mencionar o tipo de consolo que queria, é que de doença nem sintomas, apenas um furioso desejo de ser fodida, enfiada numa camisa de noite opaca e longa, tão feia que nem os hospitais no Afeganistão ousariam impô-lo às suas pacientes. Ignoro o motivo que a levou a enfiar-se naquilo, nem mesmo onde a podia ter comprado, mas tenho de admitir que era claramente a vestimenta perfeita para a personagem do pequeno teatro que comigo queria fazer, e provavelmente o único artifício que tinha à mão para me justificar a súbita doença.
Gosto de foder gajas, alarga-las, preenche-las, massacra-las... Mas sempre tive horror que me tomassem por otário.
Dilema entre os meus (dois) cérebros: O 1º, o de cima: devia ou não devia render-me aos seus caprichos? mas de imediato, o 2º, aquele ao nível do meu baixo-ventre, cai sob o encanto de tanta… estupidez e rapidamente fico magnânimo; M era terrível, tipo versão adulta da criança travessa. Como não perdoar-lhe estes defeitos quando são encarnados com tanto amor e arte? Decidira finalmente contrariar o 1º e ficar. Na sequência, à bruta, levantei-lhe o horrível vestuário e deixo-o envolto e a apertar-lhe o rosto até quase a asfixiar enquanto lhe chamava cabra! Ela adorou.
Foi assim que descobri que M adorava ser a minha "coisa" e molhava totalmente à simples ideia de ser obrigada a fantasias perversas. E o amor com que o fazia agradava-me e excitava-me bastante. E assim, invisual e quase asfixiada, atingiu numerosas vezes o orgasmo naquela e outras noites.

A minha"descoberta" foi ainda reforçada por uma das suas confissões; o hábito, nas noites de celibato e de aborrecimento, de tomar de assalto via telefone, os quartéis de bombeiros e esquadras de polícia a fim de excitar com os suspiros das suas masturbações frenéticas os ouvidos dos diversos gajos de serviço. Eles ao que parece gostavam já que nunca a prenderam. Confessou-me mesmo ter o desejo louco de “aviar” um camião cheio de GNR´s e servir de receptáculo com todos os seus orifícios aos mastros entesados e respectivas algemas e cassetetes. Mas o seu gosto pela mentira ela o demonstrara mais uma vez, e deixa-me muitas duvida se faria realmente gang-bang com a companhia inteira das “autoridades”.

E deste modo, a nossa relação foi ficando progressivamente cada vez mais insalubre. Cada broche era precedido com alguns insultos e golpes violentos de pau na cara. Cada foda era depressa acompanhada por estalos também eles vigorosos nas nádegas.. Os bicos das mamas, ora eram beliscados com violência ou esticados ao limite com doçura e ternura.

Aqui entre nós, na época era um pouco estranho para mim viver aquilo, mas ler-lhe nos olhos a tesão quando o fazia dava um pouco de alma à obra, e o seu olhar quase que me suplicava que tinha mesmo de ser assim. Era cada vez mais necessário faze-la sofrer. Abusar!

Como os nossos corpos pareciam compatíveis, a nossa relação foi duradoura (94 dias). Tempo suficiente para apreciar os seus dotes na cozinha com excelentes receitas de batatas (fritas ou em puré) com ovos estrelados. Apreciei também em detalhe o poder de sucção da sua boca gananciosa, as mãos de dedos habilidosos e todo o seu corpo, em especial a bonita curva na zona dos rins ilustrada com um belo colibri. Sempre gostei de tatuagens na parte inferior das costas femininas, particularmente as que incluem caracteres legíveis... Servem sempre de distracção num “doggy-style” mais monótono….
Com o passar do tempo, os vizinhos começaram também a perdoar as manifestações dos seus orgasmos ruidosos, aos quais fui acrescentando sons de nádegas batidas ou chicoteadas, choques de corpos contras as paredes, portas a baterem às quatro da manhã ou ascensores bloqueados….
Resumidamente, M foi o meu “brinquedo” sexual por uns tempos. Aprendemos a conhecermo-nos, a compreendermo-nos, e a gostarmo-nos…
Agora dirão (oiço já as minhas leitoras mais sensíveis): Mas respeitaste-a muito pouco! És um canalha! Devias ter vergonha…blablabla! Na verdade, para vos ser franco, não sinto hoje nem nunca senti o menor sentimento de culpa pelos momentos na companhia de M…. afinal ela queria que fosse assim! Algumas aumentam o consumo de Prozac ou bebem para esquecer enquanto outras gozam com o aumento das mamas, ela satisfazia-se com maratonas de sexo e muitas nódoas negras. Nada a fazer!
Voltei a encontrar M duas ou três vezes no par de anos seguintes, agora mais “envernizada” (teria decerto encontrado no seu caminho alguém que sabia efectivamente vestir mulheres). Permanecia no entanto o pensamento lascivo e ainda obstinada com a esperança louca de uma vida a dois…
“Salva-me”, suplicou ela ao ouvido, encostando a sua face á minha. “Gosta de mim, beija-me”…
Recusei o “SOS”, satisfiz-lhe o resto. Depois, durante anos, perdi-lhe o rasto…

Seguiram-se tempos a apreciar a solidão, obviamente mais estáticos e menos vibrantes… Mas é fantástico, porque permite ler romances e ensaios inteligentes, reflectir sobre a vida e o nosso lugar no universo, de tentar compreender porque raio as extra-terrestres acamparam na Antárctida e não fazem contactos decentes com a nossa espécie…
E assim, como assim, depressa chegou Junho. Era tempo de passar para o campo 2 ou seja, o reencontrar  frescura em novos territórios de pele desconhecidos…
Estávamos então no inicio das novas tecnologias e com elas a novas obsessões consumistas, a democratização da internet, os chats com as salas “temáticas”, de encontros etc… Um mundo de "boys and girls" virtuais onde se improvisavam infidelidades e se espalhava erotismo e sexo sem o estar a fazer… Como odeio viver na ignorância, depressa me adaptei à coisa, curioso em testar com os “chips” a teoria da transferência do Freud e passar rapidamente a colocar a língua em peles finalmente salgadas… E sim o velho tinha razão! O estabelecimento de relações afectivas intensas entre humanos desprovidos de qualquer contexto de realidade, é um facto incontornável! Rapidamente me vi a observar a cor dos cortinados de algumas que, tal como eu, procuravam a “pequena morte” nestes campos virtuais… o que, se para mim foi bom, para elas veio contribuir ainda mais para o aumento daquela (tão feminina) dificuldade crónica na busca do príncipe encantado...
Mas disto é inútil falar, todas sabem como é certamente!


Ah sim, esquecia, M é hoje uma mulher feliz, mãe dois filhos e casada com um amigo meu.

setembro 19, 2008

96

Lucros extraordinários da GALP:
-Uma subida de 159% no 1º semestre de 2008
-Empresa não paga "Taxa de Robin dos Bosques"
-E governo ainda lhe "oferece" €212 milhões de IRC (ler mais...)
Opá! Que empresas com a economia em crise se podem elogiar de fazer tais lucros durante um semestre?
E para não falar na sua contribuição para os biliões e biliões de partículas tóxicas que deixa em suspensão no nosso ar amado...
Fui fabricado para fazer sexo e não devia fazer (nem pensar) em mais nada que isso... mas ao ler coisas destas, o neurónio que aqui permanece, fáz-me pensar que há por aí gajos que, no que toca a foder o Zé povo, não respeitam nenhum limite e não lhes falta divertimento...
Parabéns ooh Xr. Amorim e C&a!...e à vossa Galp bordel.
Certamente não somos os únicos, dirá.
Pois eu sei! Mas cuidado meus caros (caríssimos).... com tanta berlaitada no Zé ele ainda abre os olhos e vos solta os cães e depois podem vir a sofrer uma inflamação aguda crónica nesses vossos gananciosos testículos.
E para terminar, enquanto uns citam cantores, eu muitas vezes cito escritores porque tenho a impressão de que eles falam por mim... Aqui deixo mais um que todos conhecem mas poucos lêem:

"O Estado é o mais frio dos monstros frios. Ele é frio mesmo quando mente; eis a mentira que sai de sua boca: "Eu, o Estado, sou o povo". Mentira. Os criadores formaram os povos e desenrolaram sobre suas cabeças uma fé e um amor; eles serviram a vida. Mas os destruidores puseram armadilhas para a multidão, é o que eles chamam Estado; eles puseram sobre suas cabeças uma espada e cem apetites. Se ainda existe um povo, ele nada compreende do Estado e o odeia como um pecado contra a moral e o direito. (…) Cada povo tem seu idioma do bem e do mal e o povo vizinho não o entende. Mas o Estado sabe mentir em todas as línguas do bem e do mal e em tudo o que ele diz, mente e tudo o que possui, roubou. Tudo nele é falso; ele morde com dentes falsos, até suas entranhas são falsas.
Nietzsche, Assim Falava Zaratustra

setembro 12, 2008

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Estes tipos andam a pensar em grande.

setembro 11, 2008

94

(continuação)
M tinha mais alguns atributos sexuais que me divertiam, outros nem tanto. Como reforço da introdução anterior irei descrever alguns com maior rigor.
Retrato físico, em pé: altura média, seios médios, cintura média, ancas médias. Uma gaja como qualquer outra portanto. Retrato psicológico: frustrada sexualmente, muitas aventuras com experiências pouco ao seu gosto, e desejo de recuperar tudo o que perdeu sem alguma vez o confessar... O tipo de mulher que sonha em mostrar-se nua sob a luz acesa mas não ousa, então, em cuequinha e sutiã, ligava as luzes de todas as divisões da casa, excepto a do quarto, e deixava todas as janelas abertas de modo a deixar-se ver bem. Mulher complicada como se vê, a que não assume de vez o facto de ser uma grandessíssima puta e uma completa exibicionista.

1º Atributo: Sem nenhum pudor; recordo-me que no nosso primeiro encontro afunda as mãos durante alguns minutos nos meus bolsos e vê o conteúdo, depois de feito o inventário escondeu as minhas chaves nas suas cuecas para me mostrar claramente a sua intenção de me fazer reavê-las...

2º Atributo: era vítima horrível de uma contradição interna. Queria-se mulher moderna, evoluída, independente dos homens e assumia-se muito bem assim, excepto na cama onde era necessário que fosse submissa o mais possível. Apreciava em particular as posições onde oferecia o seu corpo à disposição do macho: passividade era a sua aposta. Assim, bastante depressa se estabeleceu entre nós uma relação dominante/dominado, muito próximo do sado masoquismo...

3º Atributo: Não se vinha a não ser com uma boa quantidade de palavras porcas que era necessário ir-mos pronunciando progressivamente à medida da acção e que ela não dispensava também de pronunciar algumas ocasionalmente fora dela. Certamente, ao início, aquilo divertia-me, mas rapidamente me cansei do seu hábito de detalhar tudo porque se cai rapidamente num pingue-pongue de vocabulário. Contar fodas, diverte e excita. Fazer, é melhor. Fazer os duas coisas ao mesmo tempo, é um horror, porque às tantas na cabeça já nem se sabe o que se faz, nem o que se diz...

4º Atributo: Urrava como uma vaca... Sei que há entre vocês alguém que sabe do que falo, que tem um destes parceiros, que gemem ligeiramente durante a acção. É até natural, simpático e até acrescenta algo de erótico ao ambiente, evita ter a impressão de praticar um coito monótono com um pedaço de carne tépida, mas M passava a barreira do som, é verdade, literalmente…era pressentir que o orgasmo se aproximava, e urrava ao ponto de informar toda a vizinhança. Mas atenção, não com aqueles gemidos ou gritos de garganta agudos e excitados, nada disso. Assemelhava-se mesmo ao urrar de uma vaca. Acrescentava-lhe ocasionalmente, uma ou duas frases porcas do estilo "sou a tua puta, fode-me como fodes as tuas porcas gordas" e compreenderão assim a que ponto podiam ser lixados os encontros ocasionais com os vizinhos ao ser percorrido com os seus olhares como se estivessem diante de um exorcista.

Último atributo: M era uma daquelas mulheres que se preocupa com a dimensão dos parceiros. Comigo, tinha-se dado bem... infelizmente, tinha também o mau hábito de tirar medidas e fazer desenhos que guardava sob a almofada para as noites de solidão. Teve mesmo a intenção de ficar com a foto do meu “zecão”, recusei-lhe sempre esse prazer, consciente que estava mais apaixonada pela parte que pelo todo, e por vias disto, começava a encarar algumas "distracções" para a punir por este amor ferido.

(continua…)

setembro 08, 2008

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Ela fascina-me...

setembro 06, 2008

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foto: Katerina Kalou

Antes de começar a escrever sobre M, convém apresenta-la para perceberem até que ponto a relação que estabelecemos, baseada unicamente em sexo, se tornou numa coisa viciosa, carnal, turva e muito insalubre que ia provocar-nos a ambos os nossos maiores excessos.
Mesmo fazendo um esforço de memória, e sem querer ser furtivo, recordo-me muito mal, apenas das circunstâncias, em como conheci M. lembro-me só que após uma manhã de compras, há 12 ou 13 anos atrás, a interrogo se estava livre naquela noite. Diz que não. No entanto acrescentou um novo número à lista dos seus contactos. M era uma rapariga normal, nem mais… Características latinas, magra, morena, com um pouco de penugem à volta dos lábios, penteada como a namorada do Popeye e vestida como um saco.

Em contrapartida, recordo-me muito bem dos seus telefonemas antes do nosso primeiro encontro. A rapariga era brilhante, discutia durante horas, orientando a conversação com brio, com certa tendência a demorar-se sempre mais nos assuntos “quentes”. Não era desagradável. Longe disso. Na época, era bastante raro para mim a oportunidade de conhecer uma mulher na caixa do supermercado, atender ao final da noite o meu telefone e antes mesmo de um segundo encontro, estabelecer com ela uma confiança erótica tão forte.
E foi assim que conheci alguns pequenos detalhes da sua vida sexual, em particular o seu "gosto de chupar bolas". Então, numa terça-feira de Setembro decidi enfrentar face a face quem tão bem evocava à distancia a arte do felátio e me listava de forma acalorada as suas diferentes fantasias… Confesso que ia aquele nosso encontro cheio de confiança, persuadido que as coisas iam evoluir positivamente e que isto era apenas uma formalidade antes das aventuras horizontais, mais ricas em ressaltos das "ditas".

Sejamos honestos, estava longe disso, muito longe. O que ia acontecer entre nós estava para além da minha imaginação...


(continua…)